【♕】⊰ A única coisa que conseguia ouvir era a própria respiração. O silêncio dominava completamente o ambiente. Por mais que suspeitasse, por mais que no fundo soubesse que Elphaba não tinha nenhum tipo de alergia à água e tinha possibilidade da amiga estar viva, não estava preparada para aquele encontro. Não depois de tanto tempo. Tinha construído um forte de mentiras e memórias manipuladas. Não estava pronta para ver tudo aquilo se desmoronando e encarar a realidade. A primeira reação definitiva foi debulhar-se em lágrimas. Era um misto de sentimentos. Estava triste por todas as mentiras que havia falado. Nunca sentira algo tão forte em toda sua vida. Mas ao mesmo tempo, estava feliz por reencontrar a amiga. A única amiga que teve. Claro, teve muitas colegas que lhe acompanhavam em festas, mas tinha nunca teve apego à elas, de fato. E isso sem considerar os montes de “amigas” interesseiras que apareciam.
A cabeça ficou baixa por segundos. Não sabia o que dizer. E mesmo que soubesse, os soluços atrapalhariam. Respirou fundo, tentando recuperar o controle da respiração e então levantou a cabeça, limpando as lágrimas. Mas Elphaba já não estava à sua frente. Estava correndo, alguns passos a frente. Não aguentaria perder a oportunidade. Precisava saber para onde foi. Sem hesitar, segurou o vestido, levantando-o um pouco para melhorar sua mobilidade. Correu na mesma direção o mais rápido possível. “Elphie! Espera!“ ⊱
{ ☽o☾ }: Mesmo com toda a faixada que Elphaba havia construído durante os anos, ela era obrigada a admitir que se importava com Glinda, a amizade das duas tinha florescido de maneira especial e ela sabia que não importa o que fizesse as memórias de Shiz continuariam tomando um espaço importante no seu mar de nostalgias; devido a isso, ela também era forçada a admitir que sentia mal em ter tido de mentir, falsificar uma morte para a sua única amiga durante os anos.
Ela se convencia de que era para o melhor, um pensamento tão diferente do seu hábito, ela suponha que a vilanização seja apenas uma forma mais simples de se lidar com os problemas, afinal ela havia aprendido há muito tempo que tendo como si a pior versão possivel, fazia com que fosse realmente dificil para os outros usarem isso para machuca-la.
Com isso em mente, ela havia feito deste hábito um pequeno ritual, um pedido de desculpas silencioso (por mais que não desse espaço á supertições religiosas em sua cabeça), ela caminhava novamente para a capela para acender uma vela no altar, mas óbviamente a última coisa que ela estaria esperando seria encontrar a loira ali.
Sua visão turveou por um segundo, e ela nem percebeu que havia prendido a respiração. Era tarde demais para fingir que não havia notado a outra? Ela podia explicar tudo, mas do que valeriam desculpas? Antes de realmente se dar conta ela já havia virado e em um passo apressado, quase correndo deixava a pequena capela. Sem uma palavra sequer.
Com seu âmbito queria se convencer que aquilo não estava acontecendo, mas não havia sentido em negar, ainda mais com a outra agora seguindo-a para fora dali.
Ela sabia que poderia perder Glinda na cidade, não para se gabar mas ela conheci o local muito melhor do que a outra e mantinha uma prefêrencia por praticidade e mobilidade muito maior em suas roupas do que Glinda, sinceramente Elphaba nunca havia entendido o que passava pela cabeça dos alfaiates de Oz. Isso é, não houvesse Elphaba hesitado nas palavras da outra, dando tempo o suficiente para que ela a alcançasse.